A dor lombar é uma das queixas musculoesqueléticas mais comuns em todo o mundo. Em algum momento da vida, a maioria das pessoas irá experienciar um episódio de dor na região lombar. Quando isso acontece, é natural surgir o receio de agravar o problema através do movimento.
Durante muitos anos acreditou-se que o repouso absoluto era a melhor solução. Atualmente, a evidência científica mostra-nos que, na maioria dos casos, o movimento adequado e progressivo faz parte da recuperação.
A COLUNA FOI FEITA PARA SE MOVER
A coluna vertebral não foi concebida para permanecer imóvel. Os seus tecidos necessitam de movimento para manter mobilidade, circulação e função. Quando passamos demasiado tempo parados, surgem rigidez, perda de confiança nos movimentos e diminuição da capacidade física.
O PAPEL DO CORE
O core é constituído por um conjunto de músculos que ajudam a estabilizar o tronco e a coluna. O objetivo não é criar rigidez excessiva, mas sim desenvolver estabilidade, controlo e eficiência no movimento.
Quando estes músculos funcionam adequadamente, ajudam a distribuir melhor as cargas do dia a dia, reduzindo o esforço desnecessário sobre a região lombar.
A IMPORTÂNCIA DOS GLÚTEOS
Os glúteos desempenham um papel fundamental na proteção da coluna. São músculos responsáveis pela estabilidade da anca e pela produção de força durante a marcha, corrida, subida de escadas e levantamento de objetos.
Quando estão enfraquecidos, é frequente a região lombar assumir um trabalho excessivo, aumentando a sobrecarga mecânica.
Por isso, em muitos programas de exercício destinados a pessoas com dor lombar, o fortalecimento dos glúteos assume um papel central.
MOBILIDADE: A PEÇA ESQUECIDA
Uma coluna saudável precisa de força, mas também precisa de mobilidade.
Muitas vezes a dor surge acompanhada por rigidez na coluna torácica, nas ancas e até nos ombros. Melhorar a mobilidade destas estruturas permite que o corpo se mova de forma mais eficiente e com menor compensação.
Nem todos os exercícios de mobilidade são adequados para todas as pessoas. A seleção deve respeitar a condição clínica, a história da pessoa e os seus objetivos.
O EXERCÍCIO CERTO FAZ A DIFERENÇA
Não existe um exercício mágico para a dor lombar.
Existe sim uma combinação de avaliação, progressão, fortalecimento, mobilidade e consistência.
Aquilo que resulta para uma pessoa pode não ser a melhor solução para outra. É por isso que a individualização é tão importante.
O exercício deve ser seguro, progressivo e adaptado à realidade de cada indivíduo.
A MINHA EXPERIÊNCIA PESSOAL
Este tema tem um significado muito especial para mim.
O movimento faz parte da minha vida desde criança. Fui atleta de ginástica rítmica, participei em grupos de dança semiprofissionais, ingressei no curso de Educação Física aos 18 anos e construí uma carreira de mais de duas décadas na área do exercício e da saúde.
Trabalhei como fisiologista do exercício, personal trainer, instrutora de sala de exercício e professora de modalidades como ginástica localizada, abdominais, alongamentos, dança, hip-hop e zumba.
Durante muitos anos subi aos palcos dos ginásios para dar aulas a dezenas de pessoas.
Mas apesar de dedicar a minha vida ao movimento, vivi durante anos com três hérnias discais e artrose na coluna.
Foi uma fase difícil. Em alguns períodos precisava de medicação, tratamentos e estratégias adicionais para conseguir cumprir a minha função profissional.
As pessoas estavam à minha espera para dar aula. Eu tinha de estar lá.
Recusei, porém, aceitar que aquele fosse o meu futuro.
Foi essa procura de respostas que me levou a aprofundar conhecimentos em Pilates Clínico APPI, Pilates com Máquinas, Pilates Clássico e inúmeras formações complementares nas áreas da reabilitação, exercício e saúde.
Com o tempo, comecei a perceber algo extraordinário: as crises tornaram-se menos frequentes, o meu corpo tornou-se mais forte e a minha confiança voltou.
Hoje pratico Pilates, musculação, corrida, natação e ciclismo.
Vivo com qualidade de vida, autonomia e sem limitações significativas.
A dor fez parte da minha história, mas não definiu o meu futuro. Conto um pouco mais da minha história sobre isso neste texto aqui.
O QUE APRENDI COM OS MEUS ALUNOS
Ao longo dos anos acompanhei muitas pessoas com problemas lombares.
Um dos casos mais marcantes foi o de um aluno que chegou até mim com crises lombares severas associadas a hérnias discais.
Através de um trabalho consistente, progressivo e individualizado, recuperou confiança no movimento, desenvolveu força e capacidade física.
Anos mais tarde completou três maratonas.
Não porque encontrámos uma solução milagrosa, mas porque construímos resultados através de conhecimento, consistência e progressão.
CONCLUSÃO
A dor lombar não significa necessariamente que deve parar.
Em muitos casos significa que precisa de aprender a mover-se melhor.
A combinação entre fortalecimento do core, fortalecimento dos glúteos, mobilidade da coluna e exercício devidamente orientado pode ajudar a recuperar função, reduzir a dor e melhorar significativamente a qualidade de vida.
Na Station 22 acreditamos que cada pessoa merece voltar a confiar no seu corpo.
Porque, afinal,
Jamais permita que uma dor te pare.




