Durante muitos anos, milhares de pessoas viveram um ciclo frustrante: faziam dieta, perdiam peso, recuperavam-no e voltavam ao ponto de partida. Os agonistas do GLP‑1 e do GIP, como o semaglutido e a tirzepatida, representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade das últimas décadas. Este artigo não pretende questionar a eficácia destes medicamentos. Pelo contrário. Pretende explicar porque a preservação da massa muscular deve caminhar lado a lado com a perda de gordura.
As canetas emagrecedoras vieram mudar o tratamento da obesidade
A obesidade é uma doença crónica e multifatorial. Para muitas pessoas, estes medicamentos permitem controlar a fome, aumentar a saciedade e alcançar perdas de peso clinicamente relevantes quando integrados num plano terapêutico estruturado. Devem sempre ser prescritos e acompanhados por profissionais de saúde.
Como funcionam?
Os agonistas do GLP‑1 aumentam a saciedade, atrasam o esvaziamento do estômago, reduzem a ingestão alimentar e melhoram o controlo metabólico. A tirzepatida atua também sobre o recetor GIP, potenciando os resultados em muitos doentes. Apesar da sua eficácia, nenhum medicamento substitui hábitos de vida saudáveis.
O que acontece ao músculo enquanto perde peso?
Quando ocorre uma perda de peso significativa, nem todo o peso perdido corresponde a gordura. Existe também perda de massa isenta de gordura, incluindo músculo. A composição corporal passa a ser tão importante quanto o número apresentado pela balança
Porque o músculo é tão importante?
O músculo não serve apenas para a estética. É um órgão metabolicamente ativo, participa no controlo da glicemia, protege os ossos, melhora o equilíbrio, facilita as atividades do dia a dia e contribui para um envelhecimento saudável. Como vimos no artigo sobre powerpenia, não importa apenas a quantidade de músculo, mas também a sua qualidade e a capacidade de produzir força rapidamente.
O treino de força deixa de ser um complemento
Durante um tratamento para perda de peso, o treino de força torna-se um pilar terapêutico. Ajuda a preservar massa muscular, melhorar a força, manter a funcionalidade e favorecer uma composição corporal mais saudável. O objetivo não é apenas emagrecer, mas emagrecer melhor.
A importância da alimentação
A reeducação alimentar continua a ser indispensável. Uma ingestão adequada de proteína, definida por um nutricionista ou médico, associada ao treino de força, constitui uma das estratégias mais eficazes para reduzir a perda de massa muscular durante o emagrecimento.
A manutenção começa no primeiro dia
Uma das maiores preocupações é a manutenção dos resultados após a redução ou suspensão da medicação. Essa manutenção não começa no fim do tratamento. Começa desde o primeiro dia, através da construção de hábitos sustentáveis: exercício regular, alimentação equilibrada, sono adequado e acompanhamento profissional.
O papel da Station 22
Na Station 22 acompanhamos pessoas que utilizam estas terapêuticas através de programas individualizados de exercício. O nosso foco não é acelerar a perda de peso. É preservar músculo, desenvolver força, melhorar a funcionalidade e promover saúde a longo prazo. Conhece mais sobre nossos programas aqui.
Conclusão
As canetas emagrecedoras representam uma oportunidade extraordinária para muitas pessoas. Contudo, o verdadeiro sucesso não se mede apenas pelos quilogramas perdidos. Mede-se pela capacidade de perder gordura, preservar músculo, manter a autonomia e construir hábitos que perdurem para toda a vida. Porque emagrecer é importante. Preservar o músculo é essencial.
Referências científicas
- Wilding JPH et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity.
New England Journal of Medicine. 2021. - Jastreboff AM et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. New
England Journal of Medicine. 2022. - American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes.
- European Association for the Study of Obesity (EASO). Clinical Practice Guidelines.
- American College of Sports Medicine (ACSM). Position Stands.
- ESPEN Guidelines on Clinical Nutrition and Obesity Management.
Nota da autora:
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica, nutricional ou do exercício. A prescrição de exercício deve ser individualizada.




